Wednesday, March 19, 2008

Artigo VII - A Bio-Igreja

Texto Base: Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus, Ef. 3.10



Nem tudo na igreja do século XXI é modismo. Apesar de algumas coisas parecerem novidades a primeira vista, são na verdade roupagens novas para práticas já consolidadas na igreja de Cristo. Nestes casos eu sou o primeiro a dar meu sinal de boas-vindas. Creio que a igreja existe em um ambiente sócio-histórico-cultural e portanto deve adequar-se ao meio em que está inserida para melhor compreende-lo e impactá-lo com o evangelho redentor e imaculado de Cristo. Evidentemente esta adaptação não deve significar transigir em absolutamente nenhum aspecto com a doutrina e a tradição dos apóstolos. O modo de se apresentar a mensagem pode variar, todavia o conteúdo sempre permanecerá inalterado.

Nos últimos anos muitos crentes têm buscado reviver aspectos da igreja primitiva, uma destas características é a reunião em pequenos grupos nos lares. Há algum tempo essa reunião foi apelidada de “célula”, como uma referência a uma metáfora usada pelo apóstolo Paulo da Igreja de Cristo como um corpo e como tal, possuindo muitos membros. A célula seria para a Igreja a menor unidade funcional tal como a célula é a menor unidade funcional de um corpo vivo. Os defensores do sistema de células garantem que se a Biologia já estivesse suficiente desenvolvida nos tempos apostólicos, provavelmente haveria uma referência a ela nos manuscritos bíblicos (talvez aí um pouco de exagero).

Existe muita gente pensando que com o sistema de células descobriu-se a roda. Entretanto, a verdade é que elas sempre existiram entre o povo de Deus; obviamente não possuíam esse nome, mais há milênios ela está presente na nossa maneira de ser igreja. Se recuarmos algumas décadas atrás, seremos capazes de lembrar de irmãos que abriam suas casas para receber outros crentes com o intuito de cultuar conjuntamente a Deus, aproveitando para pregar o evangelho à vizinhança. Quantas destas “células” (muitas vezes chamados de grupos de comunhão, de pregação ou de trabalho) não se tornaram pontos de pregação, pequenas congregações e até novas igrejas (uma boa analogia ao processo de multiplicação das células). As reuniões nas casas, são em certa medida, inerentes à nova criatura; o desejo de louvar a Deus com os irmãos, aprender mais da Palavra e compartilhar de experiências uns com os outros. Trata-se de um canal excelente para exercer os mandamentos recíprocos do novo testamento (“amai-vos uns aos outros”, “perdoai-vos uns ao outros”, “suportai-vos uns aos outros”, etc.). Um momento de maior informalidade e intimidade.

O grande salto do movimento moderno foi formalizar o sistema de células. Mais que um incentivo, criou-se um método estático para algo que sempre ocorreu naturalmente. Assim muitas igrejas passaram a adotar o método acreditando ser este o único correto, ou, o melhor em qualquer situação. Algumas chegam ao absurdo de acusar as igrejas que não formalizaram o sistema de células de estarem “fora da visão”. Pois crêem que este é o único método aceito por Deus especialmente criado para a presente época. Algumas, com um discurso mais moderado, dizem que elas precisam “evoluir” e que chegará este tempo.

O grande problema da formalização do sistema de células nas igrejas foi a bagagem de novas doutrinas, modismo e falsos ensinos que vieram junto. Construído sob o fundamento do método celular, surgiram movimentos e denominações inteiras, algumas altamente questionáveis. O mais famoso destes movimentos é o G12 (merece um artigo só para ele) que impressiona com um mar de estranhezas que exibe. Três características neste grupo vale um rápido comentário (posso não estar sendo totalmente preciso nas minhas informações): primeiramente eles acreditam que a cada geração Deus escolhe um grupo de doze pessoas que seriam sucessoras da autoridade apostólica original. Isso quer dizer que estes 12 teriam autoridade inquestionável sobre toda a cristandade. Segundo eles, quem os desobedece está em afronta direta ao Deus Todo-Poderoso. Particularmente desconheço qualquer menção na Bíblia de herança apostólica (doutrina pregada por católicos para validarem o trono do Papa como sucessor de Pedro). Outra característica interessante do G12 é uma espécie de numerologia que eles usam (“numerologia evangélica” daria um bom artigo também!). Para eles o limite de pessoas de uma célula é de doze. Sua lógica parece razoável ao olhar desatento: visto que Cristo escolheu 12 apóstolos, este era o limite máximo de uma célula. Entretanto eles se esquecem que o grupo era de EXATAMENTE 12 e não de ATÉ 12. Além disso, não há nenhum orientação de Cristo com relação células, grupos pequenos ou menos ainda o número máximo de integrantes de tal grupo. Entendo que questões como estas são totalmente irrelevantes para Nosso Senhor, o que Ele mais quer é salvar vidas, seja onde for e com quantos forem. A terceira característica que vale um comentário é o tal “ENCONTRO”. O encontro é um mini-retiro repleto de enigmas. Quem não foi não sabe e não pode saber como é, quem foi é proibido de relatar as experiências que teve para os outros. O que abre precedente para qualquer barbaridade que se queira fazer durante o famigerado encontro. Não posso entrar em detalhes sobre este mini-retiro pois jamais fui em um. Entretanto o que posso afirmar é que NADA no evangelho de Cristo é escondido, sigiloso ou secreto. Jesus é aberto, quer se fazer conhecido, bem como sua mensagem. Dessa maneira, o povo de Deus não pode tolerar segredos desta natureza. O pior é que tem gente que copia. Já fomos avisados: “Provai de tudo e retende o bem”, infelizmente alguns cristãos têm um julgamento pobre sobre o que é bom.

Existem, entretanto, outros grupos centrados no modelo celular tais como o G5 e denominações e igrejas independentes. O G5 padece do problema da numerologia evangélica tanto quanto o G12, a diferença é a do número “santo” que no caso deles, como se pode supor, é de cinco.

Um método de igreja em célula em si, tomando-se em conta a preservação da doutrina imaculada do evangelho, está longe de ser um problema. Na verdade, pessoalmente sou muito favorável em muitos casos. As dificuldades começam quando se tenta transformar o método em doutrina, tomando-o como verdade inexorável para todas as igrejas situações e ambientes. Deus dá estratégias diferenciadas para cada ministério, igreja, pastor, etc. que por sua vez estão inseridos em contextos sociais, culturais, espirituais e históricos singulares. A igreja em células não é uma panacéia que haverá de resolver todos os problemas da Igreja do século XXI. Poderá e deverá ser aplicada quando a ocasião se fizer favorável. Quando uma igreja, seja em células ou não, entende isso, ela poderá se desenvolver saudável com o método eclesiástico particular que ela escolheu sob a direção de Deus.

Fecho este artigo com minha experiência pessoal no assunto. Minha igreja é em células desde o seu nascimento. Sempre as freqüentei (estou temporariamente afastado por pequenas divergências) e elas foram bênçãos na minha vida. É o local primeiro para aprender e exercitar o ministério que Deus tem para cada um de Seus filhos. Portando acredito ser um método quando utilizado com sabedoria e discernimento. Isto inclui deixar livre o fluir de Deus sem engessar a igreja no método. Já que verdadeiramente, o anseio pela reunião em pequenos grupos está presente no DNA cristão. Não é necessário forçar a que nada aconteça. Nenhuma crítica ao incentivo entretanto. Esta é apenas uma estratégia, uma maneira de ser igreja, mas a sabedoria de Deus, como nos diz o texto é MULTIFORME.


GRAÇA E PAZ.

2 Comments:

At 5:34 AM, Anonymous rebeca said...

Perfeito e interessante..

lê bastaante a bíblia hein!
hauhauhau

bjo!!

 
At 7:50 AM, Anonymous Bambi said...

Good post.

 

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